A semana termina com a confirmação que o apresentador José Luís
Datena será candidato ao Senado por São Paulo pelo DEM. A novidade foi
tratada por analistas políticos como uma injeção para a campanha de
Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República, já que o tucano pode
surfar na onda de popularidade do novo aliado. Além do ex-governador
paulista, o candidato ao Palácio dos Bandeirantes, João Doria (PSDB),
também poderia “beber” na fonte do apresentador policialesco, com alguns
anos à frente de programas populares nacionalmente. Datena é o que se
convencionou chamar de “outsider”. Uma pessoa de fora do circuito
político convidada para assumir uma candidatura a cargo público sob o
prisma de não possuir “vícios” e estar repleto de “virtudes”. É como se
fosse um projeto de herói redentor, porém numa versão tupiniquim e
ligeiramente piorada (não que ideias assim sejam exclusivas do Brasil,
Donald Trump serve de exemplo). A ideia do salvador da pátria aparece em
Datena, mas também está presente em inúmeros outros nomes que buscam
esse papel. Jair Bolsonaro, um político de carreira, se inspira nessa
lógica de que apenas ele faria diferença na Presidência. O próprio
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que insiste na candidatura ao
Palácio do Planalto, também é apresentado como o único capacitado para
recolocar o Brasil nos eixos – como se algum dia já estivéssemos estado
nos eixos. Os brasileiros parecem depender desses “heróis”, muito mais
próximos de Macunaíma do que algo que sirva para que tenhamos uma
perspectiva otimista do país. Enquanto o país se enche de redentores
como opção para voto, na Bahia ficamos restritos aos velhos caciques
políticos. Por essas bandas, todavia, os candidatos estão ou estiveram
em mandatos bem avaliados, mostrando que é possível ser político
profissional e ter aprovação popular. Não há nenhum salvador da pátria
ou qualquer perspectiva de heroísmo por parte dos nomes que devem estar
nas urnas no próximo mês de outubro. Só não é por falta de vontade dos
baianos em votar em figuras assim. Ou alguém acha que um Datena local
não iria incomodar, ainda que ligeiramente, os poderosos coronéis
políticos? Entretanto, não conseguimos formar ninguém assim nos últimos
anos, para a sorte daqueles que conseguem discernir que a política deve
ser feita por profissionais – ou ao menos por interlocutores que tenham
real interesse no funcionamento do sistema. Em momentos assim,
percebemos que não estamos tão mal quanto pensamos. Sempre poderia
piorar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário