Um mês após o início das paralisações dos caminhoneiros, o corte no
preço do diesel nas bombas ainda é pouco maior do que um terço do
prometido pelo governo em acordo para por fim à paralisação. O
Ministério da Justiça promete intensificar as fiscalizações, mas diz que
sem colaboração dos Estados não será possível chegar aos R$ 0,46 por
litro.
Até agora, apenas sete estados reduziram o preço de
referência utilizado para a cobrança de ICMS sobre o diesel: Alagoas,
Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia e São
Paulo. O Rio aumentou o valor, mas reduziu a alíquota do imposto de 18%
para 12%.
"Sem baixar o ICMS, não chega aos R$ 0,46,
infelizmente", diz Ana Carolina Caram, diretora do DPDC (Departamento de
Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça). "Essa é uma
decisão dos governadores e não do presidente da República. A gente não
pode fazer nada."
De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do
Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço do diesel caiu em média R$
0,16 por litro entre a semana anterior à greve, encerrada no dia 19, e a
semana passada. Em nenhum Estado o corte chegou perto dos R$ 0,46
prometidos por Temer aos caminhoneiros.
Caram disse que não
poderia comentar a pesquisa, devido à especificidades de cada Estado,
como a carga tributária. Mas disse que 3.330 postos já foram autuados
por falta de informações sobre os preços praticados antes da subvenção e
de repasses do desconto ao consumidor.
Os revendedores terão um
prazo para se defender, em processos administrativos movidos pelos
Procons estaduais. A multa pode chegar a R$ 9,4 milhões. A DPDC abriu um
canal para denúncias no WhatsApp. Todos os postos têm que indicar o
preço vigente no dia 21 de maio, data de referência para o cálculo do
repasse.
A pesquisa mensal de preços da agência mostra que as
distribuidoras baixaram seus preços, em média, em apenas R$ 0,13 por
litro desde a semana encerrada em 19 de maio. Os postos encolheram as
margens em R$ 0,03 por litro.
Procurada, a Plural, entidade que
representa as maiores distribuidoras do país, reforçou o discurso de que
o repasse integral vai depender da redução do ICMS pelos Estados. A ANP
diz que a fiscalização está a cargo dos Procons, mas que está
colaborando no esforço.
Nesta quarta (20), a diretora do DPDC se
reuniu com representantes dos Procons estaduais para avaliar medidas de
reforço na fiscalização. O governo estima que a subvenção ao preço do
diesel vai custar R$ 13,6 bilhões —incluindo subsídio a produtores e
importadores e isenção de impostos federais.
O esforço de
fiscalização quer impedir que parte desse valor seja abocanhado pelas
margens de lucros das empresas do setor. "Seria vantagem excessiva,
prática abusiva de mercado e isso vai ser coibido de forma incisiva",
diz Caram.

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