A precariedade na saúde pública municipal é um assunto recorrente
entre a população soteropolitana. A insatisfação é unânime quando se
trata dos serviços oferecidos pela rede pública da capital baiana. O BNews fez uma blitz e ouviu a população sobre os serviços nos postos de saúde e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA).
Foram
visitados os postos de saúde dos bairros de Pau Miúdo, Pau da Lima e
Cajazeiras, além da UPA dos Barris. A equipe de reportagem constatou que
o atendimento demorado foi uma das reclamações mais frequentes.
‘’Descaso com a população’’, desabafou um homem, que preferiu não se
identificar, sobre o serviço na UPA dos Barris.
O rapaz, que
precisou levar a esposa para a emergência por causa de pressão alta e
falta de ar, saiu da UPA antes de ter sido atendido. ‘’Demos entrada
aqui às 10h, ela passou pela triagem e dessa triagem o que aconteceu?
São exatamente 14h25 e eu estou indo embora pela falta de
comprometimento dos profissionais da UPA dos Barris’’.
No mesmo
local, Irineu Ferreira Maia, 56 anos, não conseguiu fazer a ficha para
garantir o atendimento. “Disseram que não estão fazendo ficha. É um
descaso que estão fazendo com as pessoas’’.
E até quem conseguiu a ficha relatou problemas para ser examinada. É o
caso de Maria Lúcia Santos de Jesus, 59 anos, que chegou às 9h e só foi
liberada às 14h40. ‘’Perderam minha ficha, depois de duas horas
perguntei e disseram que não tinha encontrado, depois disseram que
tinham me chamado, mas não chamaram. Estava aí dentro esperando, não
tomei nem um café hoje’’.
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) foi procurada pelo BNews e
justificou que o quantitativo de médicos para atuar nas Unidades
Básicas de Saúde com e sem Saúde da Família é definido de acordo com a
capacidade instalada, ou seja, conforme a estrutura física disponível.
Segundo a pasta, o número de equipes pode variar (uma, duas, três,
quatro ou mais). A SMS garante ainda que cada equipe é formada por
médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentista, auxiliar de
saúde bucal e agentes comunitários de saúde.
Questionado sobre
fiscalização, o órgão informou que o processo de trabalho das unidades é
acompanhado pelo Grupo Condutor da Atenção Primária à Saúde juntamente
com a equipe do Distrito Sanitário, através de visitas in loco e
acompanhamento da produtividade, conforme parâmetros estabelecidos. “As
unidades de saúde dispõem da figura do gerente de serviços de saúde, que
atua na unidade e possui a função de monitorar e acompanhar o processo
de trabalho de toda equipe de saúde”, afirma a secretaria.
No Centro de Saúde Maria Conceição Imbassahy, localizado no bairro do
Pau Miúdo, a situação não foi diferente. Evanilda de Santana Sanches,
53 anos, que estava acompanhando um paciente, relatou ao BNews o
descontentamento de uma realidade, segundo ela, comum na saúde pública.
‘’Eles não dão a mínima explicação. Só ‘espere’ e pronto. Tentamos
passar pela UPA da San Martin e não conseguimos, porque estava cheio e
só estava atendendo ortopedia’’.
Evanilda ainda pontuou sobre a
escassez de remédios nas farmácias das unidades de saúde. “Quase nunca
tem, né? Na maioria das vezes não tem nem Dipirona, que é o mais
comum’’.
No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS)
assegurou que o cronograma de atendimento às unidades de saúde é mensal,
podendo realizar pedidos extras durante o mês de acordo a necessidade.
De
acordo com a SMS, as unidades Ramiro de Azevedo, Carlos Gomes, 5°
Centro, 14° Centro, Casa do Trabalhador, Ilha Amarela, Prefeitura Bairro
Valeria, 7° Centro e 3° Centro têm reposição quinzenal por causa da
alta demanda.
Ainda conforme a pasta, a reposição das unidades de
urgência e emergência (UPA's, Samu, PA psiquiátricos, emergências
odontológicas) é semanal, podendo fazer solicitações extras.
Enquanto
a prefeitura tenta amenizar os problemas, a população continua sofrendo
com esperas, filas, falta de profissionais nas unidades e medicamentos,
conforme relatos acima mencionados.
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