A estratégia do PP em lançar com tanta antecedência a
candidatura de Nelson Leal à presidência da Assembleia Legislativa da
Bahia (AL-BA) não é exatamente prematura, como chegaram a avaliar
aliados políticos. Segundo maior partido da Bahia em número de
prefeituras, o PP precisa fazer força frente ao poderoso PSD e também ao
próprio PT, que, mesmo não tendo a mesma musculatura de outrora,
assistiu à reeleição do governador Rui Costa com mais de 75% dos votos. E
a direção do Legislativo baiano passa por isso.
O PSD talvez seja a grande força-motriz do grupo político de
Rui atualmente. Possui dois mandatos de senador e controla secretarias
robustas na atual administração. O partido tende a manter o espaço, até
como compensação pela rede de conexões com o interior do estado, via
União dos Municípios da Bahia (UPB) e pelo controle do maior número de
prefeituras. Como até o dia 31 de janeiro ainda detém o comando da
Assembleia com Angelo Coronel, a manutenção desse posto seria mais uma
recompensa após o social-democrata ser alçado ao Senado.
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Na conta pelos interesses em dirigir o Legislativo baiano
está o fato do PT, mesmo tendo a maior bancada há mais de uma
legislatura, nunca ter assumido a direção da Casa. O interesse do
deputado Rosemberg Pinto não é novo e domá-lo com uma jogada antecipada,
angariando apoios, foi um movimento importante do PP. Contra o petista
coloca-se o duplo controle da Assembleia e do Palácio de Ondina, algo
mal visto por grande parte dos atores políticos, mas que não seria
inédito na história dos legislativos.
O caminho do PP para conseguir obter uma vitória nesse
processo é formado de pedras pontiagudas. O nome de Nelson Leal não
teria sido uma unanimidade dentro do partido, ainda que publicamente
todos os progressistas defendam a candidatura dele. Além disso, o grupo
político precisaria articular um número ligeiramente maior para
pressionar o PT a desistir da candidatura e o PSD a não lançar
formalmente o nome de Adolfo Menezes, citado como postulante ao cargo.
Nas contas depois de uma reunião com o governador, Leal teria 20 dos 45
votos da base aliada. É um número expressivo, porém PT e PSD somam 19
juntos e possuem musculatura suficiente para atrair aliados. Por isso
houve a antecipação do lançamento da candidatura progressista.
Na última eleição da Assembleia, Coronel arrematou o apoio da
oposição e conseguiu dinamitar a candidatura de Marcelo Nilo à
recondução sem a participação de Rui. No entanto o desgaste do processo
só foi superado após muita negociação posterior, o que teria deixado
resquícios de tensões desnecessários na relação entre o governador e a
base aliada. A omissão em 2019 poderia gerar ruído semelhante e com o
aval eleitoral dificilmente Rui vai querer ver o arco de alianças
fragilizado logo no início do mandato.
Ainda assim, o chefe do Executivo tem força suficiente para
contornar uma eventual rusga entre os principais partidos que o apoiam.
Havendo consenso, Rui comprovará também o papel de bombeiro, posição que
recentemente tem sido cara à Assembleia Legislativa da Bahia.


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