Em meio aos altos índices de criminalidade no País, as seguradoras
estão faturando com o aumento da demanda por seguro de aparelhos de
telefone celular. Atualmente, já existem 2,5 milhões de aparelhos
segurados, mas a expectativa é que esse número alcance 4,5 milhões de
usuários até o fim do ano, segundo a Federação Nacional de Seguros
Gerais (FenSeg).
Em um ano, o valor total pago em
mensalidades pelos usuários desse produto saltou 70%, de R$ 530 milhões,
em 2016, para R$ 900 milhões, em 2017. Segundo a FenSeg, o total
desembolsado corresponde a cerca de 15% a 25% do valor do aparelho,
dependendo da cobertura contratada. No ano passado, 300 mil donos de
aparelhos segurados foram indenizados. "O custo (ao consumidor) não é
tão bom. O risco eleva o preço", disse Bruno Kelly, professor da Escola
Nacional de Seguros.
Um exemplo de cliente da modalidade é a
gerente de projetos Viviane Queiroga, que já está na sua segunda
apólice de seguro de aparelho telefônico. A primeira foi resgatada sete
meses após a contratação, quando teve o telefone roubado. O investimento
foi elevado, entre as parcelas mensais de R$ 75 que já tinham sido
quitadas e a franquia de 32% do valor do aparelho, paga na ocasião do
roubo, ela calcula ter desembolsado cerca de R$ 2 mil, a metade do valor
do celular roubado.
"Acabei com o mesmo aparelho e pela
metade do preço que pagaria. Se eu tivesse sido roubada sem o seguro,
teria de comprar outro", ressaltou Viviane, lembrando que o atendimento
de sua seguradora passou longe da perfeição. "Deu trabalho. Enviei
várias mensagens dizendo que não aceitaria um modelo inferior, que era o
que estavam me oferecendo. Mas daí eles disseram que procurariam um
fornecedor e acabaram me dando um aparelho do mesmo nível", ressaltou.
O
novo telefone já tem uma nova apólice contratada, dessa vez com
prestações mais elevadas, de cerca de R$ 120, mas taxa de franquia mais
baixa, 23% do valor do bem. "No fim das contas sairá praticamente o
mesmo custo caso eu seja roubada novamente", disse ela.
Risco alto
O
cálculo do risco leva em consideração a incidência de roubos e furtos
de aparelhos. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou
no boletim interno da agência reguladora, na última quarta-feira, uma
alteração no cronograma do projeto Celular Legal, para antecipar o
bloqueio de aparelhos irregulares no Rio de Janeiro. A medida atende a
um pedido do interventor federal no Rio, general Braga Netto.
O
bloqueio de aparelhos roubados já ocorre desde 2002, mas a partir de
2015 passou a ser possível fazê-lo sem o número do Imei (espécie de
identidade de cada aparelho). O problema é que até os celulares
bloqueados são fraudados para que possam ser reutilizados.
O
projeto Celular Legal, que a Anatel coordena, tem o objetivo de coibir a
aquisição de aparelhos adulterados, roubados e extraviados. Desde 22 de
fevereiro deste ano, os usuários de celulares irregulares habilitados
em Goiás e no DF estão recebendo mensagens informando que os aparelhos
serão desativados. A segunda fase, que começa em 23 de setembro,
incluirá os demais Estados do Centro-Oeste, a região Sul, além de Acre,
Rondônia, Tocantins, Espírito Santo e Rio de Janeiro. A terceira e
última fase terá início em 7 de janeiro de 2019, abrangendo o Nordeste e
os demais Estados das regiões Norte e Sudeste.
"Por que o
número de bloqueios não cai? Porque ao mesmo tempo aumenta o número de
usuários e de aparelhos. É óbvio que há mecanismos sendo debatidos, de
combate a essas tentativas de driblar esse tipo de bloqueio (do Imei).
Há uma discussão internacional até sobre dar mais robustez aos aparelhos
para dificultar esse tipo de fraude. Mas o número de smartphones tem
subido, então a base tem crescido. Não dá para isolar uma variável a
outra", avaliou o gerente de Regulamentação da Anatel, Felipe Roberto de
Lima.
Há cerca de um mês, o general Braga Netto
reconheceu, durante uma palestra, a dificuldade que o comando conjunto
da intervenção federal no Rio tem enfrentado em reduzir os roubos de rua
no Estado. Segundo ele, esse tipo de ocorrência está atualmente
concentrada em roubo de aparelhos de telefone celular. Por isso seria
necessária a colaboração da Anatel para o bloqueio de aparelhos. Entre
março e maio, os roubos de rua caíram só 1,43%, informou o general
durante palestra. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
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